Equipe da Funasa fica 14 h refém de índios em UbatubaComunidade tupi-guarani consegue obra de saneamento após acordo no final da noite
Ubatuba – Seis representantes da Funasa (Fundação Nacional de Saúde) foram mantidos reféns por mais de 14 horas ontem durante todo o dia por índios tupi-guaranis na aldeia Renascer, próxima à praia Dura, em Ubatuba. A comunidade reivindicava melhorias no tratamento de água e esgoto.A Polícia Militar acompanhou toda a movimentação, mas não interferiu. Dos seis funcionários, cinco são da unidade do Rio de Janeiro e um de São Paulo –o grupo foi ao local com o objetivo de fazer uma análise da qualidade da água consumida nas aldeias Renascer e Boa Vista, também em Ubatuba.O grupo chegou às 8h30 à aldeia e foi recebido pelo cacique Awá. Logo em seguida, os funcionários foram informados pelo cacique que seriam feitos reféns para obrigar a Funasa a atender às reivindicações.Para garantir a permanência dos servidores na aldeia, os índios tomaram as chaves das duas caminhonetes do grupo.O cacique Awá, então, entrou em contato por telefone com a coordenadoria da Funasa em São Paulo e informou que os funcionários ficariam detidos na aldeia até que a entidade apresentasse uma solução.O cacique autorizou que os funcionários do Rio também entrassem em contato com a coordenadoria para informar o que havia ocorrido e avisar familiares.A equipe da Funasa não sofreu nenhum tipo de represália por parte dos indígenas –somente um deles estava armado com arco e flexa. Os funcionários puderam circular livremente pela aldeia e também receberam alimentação (leia texto nesta página).PEDIDOS – A comunidade Renascer reivindicava a instalação de uma caixa d’água, melhorias na fossa séptica e a construção de mais quatro banheiros. No ano passado, a Funasa teria gasto R$ 80 mil com uma caixa d’água para a aldeia, no entanto, com problemas de vazamento, ela nunca funcionou.”Os índios já estão cansados de promessa. A equipe da Funasa vai ficar aqui até que a gente tenha uma garantia de que as nossas reivindicações serão atendidas”, afirmou o cacique.As negociações transcorreram durante todo o dia e as partes só chegaram a um acordo por volta das 22h50, quando os reféns foram libertados.O acordo foi fechado com o chefe de saúde da coordenadoria indígena da Funasa, Paulo Sellera. Por e-mail, ele enviou um documento à aldeia garantindo o início das obras na próxima segunda-feira. Em seguida, os seis representantes da Funasa foram liberados pelos indígenas.Nenhum representante da Funai (Fundação Nacional do Índio) e nem da Funasa esteve no local durante todo o tempo em que o grupo permaneceu no local.RAIO-X – A Renascer foi fundada em 1999 e abriga 55 índios tupi-guaranis. Os índios sobrevivem da venda de artesanato e da plantação do palmito pupunha. A aldeia possui escola e posto de saúde. O núcleo é formado por 14 casas, possui energia elétrica, computador e antena parabólica.
(Fonte: ValeParaibano)